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Desperdício em contratos de TI

Sua empresa usa toda a tecnologia que paga?

Como identificar desperdício em contratos de TI (e o que fazer a respeito)

É comum uma empresa crescer digitalizando processos aos poucos: um contrato de rede assinado numa expansão, uma licença de software contratada para um projeto específico, um fornecedor de cibersegurança trazido às pressas depois de um incidente. Cada decisão fazia sentido no momento. O problema é que, com o tempo, poucas organizações param para revisar se esse conjunto de contratos ainda reflete o que o negócio realmente precisa.

O resultado, na prática, costuma ser o mesmo: contratos duplicados, licenças pagas e não utilizadas, fornecedores que nunca passaram por uma auditoria formal. E esse tipo de revisão está ganhando urgência porque o setor público — historicamente um bom termômetro de práticas de mercado — começou a olhar para isso com lupa.

Por que as empresas estão revisando seus contratos de TI agora

O gatilho mais recente veio do governo federal. Em janeiro de 2026, o TCU aprovou uma auditoria ampla sobre contratos de TI da administração federal depois de identificar superfaturamento sistemático — incluindo um caso em que um software vendido como solução personalizada tinha mais de 90% de similaridade com códigos já existentes em outros órgãos.

Segundo o Ministério da Gestão e Inovação, só em 2025 a revisão de 37 contratos de TI gerou uma economia de R$ 831 milhões antes mesmo de qualquer licitação começar. Para chefes financeiros, jurídicos e de operações no setor privado, o caso funcionou como um alerta: se isso estava acontecendo em contratos públicos, altamente regulados, é bem provável que esteja acontecendo também nos contratos da própria empresa.

O que costuma aparecer quando uma empresa audita seus contratos de TI

"Quando uma empresa chega até nós, a primeira coisa que fazemos é mapear o que ela está pagando de verdade. E o que encontramos, quase sempre, surpreende: contratos duplicados, serviços contratados e não utilizados, fornecedores que entregam menos do que foi acordado e ninguém percebeu porque nunca houve uma revisão formal. O problema não é a tecnologia em si. É que a maioria das organizações cresceu em ritmo acelerado, digitalizando processos ao longo do caminho, sem parar para checar se o que estava sendo contratado ainda fazia sentido", afirma João Neto, CEO da Unentel.
Vale notar que esse cenário não é exclusivo de nenhum setor específico — ele aparece em empresas de portes e segmentos diferentes, sempre que a expansão da infraestrutura de TI aconteceu mais rápido do que a governança sobre os contratos.

TaaS: uma alternativa ao modelo tradicional de compra de equipamentos

A resposta do mercado a esse problema não tem sido simplesmente cortar custos, e sim reorganizar com critério. Empresas estão passando pente fino em toda a cadeia — da infraestrutura de rede e dispositivos até cibersegurança e comunicação — mapeando sobreposições, ociosidade e risco exposto.
Nesse processo, o modelo TaaS (Technology as a Service) vem ganhando espaço como alternativa à compra tradicional de equipamentos, substituindo-a por acesso contínuo à tecnologia com suporte e gestão embutidos. O movimento é consistente com o crescimento do mercado de serviços gerenciados de segurança: segundo relatório da Grand View Research, o mercado global de Security as a Service já ultrapassa US$ 17 bilhões e deve chegar a US$ 55 bilhões até 2033.

As cláusulas contratuais que fazem diferença

Esse tipo de revisão também abre uma oportunidade que vai além de cortar desperdício: a de melhorar a redação das cláusulas contratuais. Definir com clareza os níveis de serviço (SLAs), os critérios de reajuste, a proteção de dados e a propriedade das informações geradas durante o contrato deixou de ser um detalhe jurídico e passou a ser vantagem competitiva.
Com a LGPD consolidada e o ritmo de auditorias regulatórias aumentando, as empresas que aproveitam esse momento para estruturar melhor seus acordos saem na frente — com mais previsibilidade, menos risco e contratos alinhados ao que o negócio realmente precisa hoje.

A pergunta certa não é quanto, é o quê

"A pergunta que toda empresa deveria estar fazendo agora não é 'quanto estou gastando com tecnologia', mas 'o que estou recebendo em troca de cada real que pago'. Contratos bem estruturados, com entregas mensuráveis, responsabilidades claras e modelos flexíveis. A empresa que sabe exatamente o que contratou, o que recebe e o que pode renegociar tem uma capacidade de resposta muito maior quando o mercado muda", 
conclui João Neto.

Por onde começar: checklist para revisar seus contratos de TI

Se sua empresa nunca fez esse tipo de revisão, o processo não precisa começar grande. Alguns passos ajudam a organizar o diagnóstico antes de qualquer renegociação:
  • Liste todos os contratos ativos de TI — infraestrutura de rede, devices, cibersegurança, videoconferência e comunicação — com data de assinatura e vigência.
  • Confirme o uso real de cada licença e serviço junto às áreas que deveriam estar utilizando.
  • Identifique sobreposições entre fornecedores diferentes cobrindo a mesma necessidade.
  • Revise os SLAs contratados e compare com o que de fato vem sendo entregue.
  • Verifique cláusulas de reajuste, propriedade de dados e proteção de informações à luz da LGPD.
  • Avalie se modelos como TaaS fariam mais sentido do que a compra direta de equipamentos para o seu ciclo de renovação.

Esse mapeamento inicial já costuma revelar boa parte dos pontos de desperdício — e serve de base para decidir o que renegociar, o que substituir e o que manter.
 
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