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Por que a Copa do Mundo aumenta o risco cibernético para empresas (e como se proteger)

Por que a Copa do Mundo aumenta o risco cibernético para empresas

Durante grandes eventos esportivos, a atenção das equipes costuma se dividir. Times inteiros acompanham resultados no celular, grupos de WhatsApp trocam links de promoções e transmissões, e a rotina corporativa passa a competir com a torcida pela seleção. Esse tipo de distração parece inofensivo, mas é exatamente o cenário que criminosos digitais procuram para agir.

O problema não fica restrito às pessoas físicas. Quando um colaborador clica em um link falso ou usa uma credencial comprometida, o alvo real pode ser a empresa em que ele trabalha — independentemente de ela ter qualquer relação com o futebol ou com o evento em si.

Por que grandes eventos esportivos elevam o risco cibernético

A Copa do Mundo mobiliza milhões de torcedores ao redor do mundo. Enquanto as atenções se voltam para os gramados, o aumento da movimentação online durante o torneio cria oportunidades para a atuação de criminosos virtuais — e as empresas também entram na mira desses ataques.

O relatório "Cyber Threat Bulletin: FIFA World Cup 2026", do Centro Canadense para Segurança Cibernética, identificou mais de 4.300 domínios suspeitos relacionados à Copa do Mundo registrados ainda em 2025, muitos deles criados para imitar páginas oficiais e roubar informações de usuários.

Para João Neto, CRO da Unentel, grandes eventos esportivos criam um ambiente favorável para os criminosos digitais porque despertam curiosidade e fazem com que as pessoas ajam com menos cautela. 

"Durante a Copa do Mundo, aumenta a circulação de mensagens, promoções e links relacionados ao evento. Os criminosos exploram esse interesse para criar golpes convincentes e comprometer informações corporativas", afirma.


Os golpes mais comuns ligados ao torneio

O especialista explica que as empresas não precisam estar diretamente ligadas ao campeonato para se tornarem alvo. Muitas vezes, um único clique em um link fraudulento ou o uso de credenciais comprometidas já é suficiente para abrir caminho para um ataque.

Criminosos já criaram milhares de páginas falsas relacionadas à Copa do Mundo para vender ingressos inexistentes, oferecer transmissões gratuitas e roubar dados. Além disso, o alerta "World Cup 2026 Scams", divulgado pelo FBI por meio do Internet Crime Complaint Center (IC3), aponta o uso de inteligência artificial para tornar as mensagens de phishing mais convincentes e difíceis de identificar.


Como reduzir os riscos: controles de acesso e autenticação

Para reduzir os riscos, as empresas devem revisar previamente suas políticas de segurança e reforçar os controles de acesso aos sistemas corporativos. A adoção da autenticação multifator, a atualização constante de softwares e a revisão das permissões concedidas aos usuários ajudam a impedir que credenciais comprometidas sejam utilizadas por criminosos.

A segurança também precisa chegar aos dispositivos do dia a dia

Além da proteção da infraestrutura, é fundamental investir na segurança dos equipamentos utilizados no dia a dia. Computadores, notebooks e celulares corporativos devem contar com mecanismos de proteção capazes de bloquear arquivos maliciosos, identificar ameaças em tempo real e impedir acessos não autorizados.

O monitoramento contínuo da rede e dos dispositivos também ajuda a detectar comportamentos suspeitos com mais rapidez e reduzir o impacto de possíveis incidentes, especialmente em equipamentos utilizados remotamente ou fora do ambiente corporativo.

"A tecnologia é indispensável, mas a segurança depende da combinação entre processos, pessoas e ferramentas. As empresas precisam se preparar com antecedência, fortalecendo controles de acesso, monitorando ameaças e orientando os colaboradores para identificar tentativas de fraude."


A pergunta certa não é quanto, é o quê

"A pergunta que toda empresa deveria estar fazendo agora não é 'quanto estou gastando com tecnologia', mas 'o que estou recebendo em troca de cada real que pago'. Contratos bem estruturados, com entregas mensuráveis, responsabilidades claras e modelos flexíveis. A empresa que sabe exatamente o que contratou, o que recebe e o que pode renegociar tem uma capacidade de resposta muito maior quando o mercado muda", 
conclui João Neto.

Por onde começar: checklist antes da Copa do Mundo

Antes do início do torneio, algumas ações ajudam a organizar a preparação da equipe de TI e reduzir a superfície de ataque da empresa:
  • Revise as políticas de segurança da informação e reforce os controles de acesso aos sistemas corporativos.
  • Ative a autenticação multifator em todos os sistemas e contas que ainda não a utilizam.
  • Atualize sistemas operacionais, navegadores e softwares corporativos antes do início dos jogos.
  • Audite as permissões concedidas aos usuários e remova acessos que não são mais necessários.
  • Garanta que notebooks, celulares e computadores corporativos tenham proteção de endpoint ativa, incluindo os equipamentos usados remotamente.
  • Oriente os colaboradores sobre os tipos de golpe mais comuns do período: links de transmissões falsas, promoções e venda de ingressos inexistentes.
  • Reforce o monitoramento da rede durante os dias de jogo, quando o volume de acessos e mensagens tende a aumentar.

Nenhuma dessas ações depende de a empresa ter qualquer relação com o futebol — o objetivo é reduzir a chance de que a distração coletiva em torno do evento vire porta de entrada para um ataque.

 
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