Blog do Farol da Tecnologia

Investimento em TI 2026

Por que os CFOs estão exigindo mais controle sobre TI — e o que isso muda para gestores e revendedores

Durante anos, o orçamento de TI foi tratado como um centro de custo relativamente opaco dentro das empresas: a área pedia, a liderança aprovava, e o controle sobre como o dinheiro era gasto ficava concentrado dentro do próprio departamento de tecnologia. Esse modelo está mudando.

A combinação de gastos crescentes com cloud computing, inteligência artificial e cibersegurança trouxe os executivos financeiros para dentro das decisões de tecnologia. Não como visitantes ocasionais, mas como interlocutores permanentes — com perguntas sobre contratos, indicadores de desempenho, riscos de indisponibilidade e retorno dos investimentos realizados.

Para gestores de TI, esse movimento representa um novo conjunto de expectativas a gerenciar. Para revendedores de tecnologia, é uma mudança de dinâmica que afeta quem toma decisões de compra, quais critérios pesam mais e como as propostas precisam ser estruturadas.

O que os números dizem sobre a virada de atenção dos CFOs

Uma pesquisa divulgada pela Gartner em fevereiro de 2026 aponta que 75% dos líderes da área financeira planejam ampliar investimentos em TI ao longo do ano, com foco em automação, segurança digital e eficiência operacional. A prioridade declarada não é crescimento pelo crescimento — é reduzir riscos financeiros ligados à operação tecnológica e aumentar a previsibilidade dos custos.

Esse dado reflete uma transformação que vinha se desenhando há alguns anos e se acelerou à medida que os gastos com tecnologia se tornaram uma fatia cada vez mais relevante do orçamento corporativo. Cloud computing, SaaS, infraestrutura de segurança, suporte e licenciamento — quando somados, esses itens representam uma despesa que passou a exigir o mesmo rigor de análise aplicado a outras áreas do negócio.

"Os custos ligados à tecnologia ficaram mais complexos nos últimos anos. Hoje o CFO precisa acompanhar desde consumo em nuvem até riscos de indisponibilidade, ataques cibernéticos e contratos que impactam diretamente o caixa da empresa."Wilder Gouveia, CFO da Unentel

O que os executivos financeiros estão priorizando — e por quê

A maior presença dos CFOs nas discussões de tecnologia não significa que eles querem assumir decisões técnicas. O que eles querem é visibilidade: entender onde o dinheiro está sendo aplicado, quais riscos existem e como evitar surpresas no caixa.

Na prática, isso se traduz em algumas demandas concretas que passaram a fazer parte do radar das áreas financeiras:
  • Monitoramento 24 horas da infraestrutura: interrupções operacionais têm custo direto e mensurável. O CFO quer saber que há alguém olhando antes que o problema se torne um incidente.
  • Proteção contra ataques cibernéticos: o crescimento dos ataques de ransomware e phishing colocou a cibersegurança como item de governança financeira, não apenas técnica. O risco de um ataque bem-sucedido tem implicações diretas para o caixa e para a continuidade do negócio.
  • Gestão de redes corporativas: ambientes de rede mal dimensionados ou sem gestão ativa geram custos ocultos — em retrabalho, em suporte reativo e em produtividade perdida.
  • Análise de consumo em nuvem: cloud computing sem governança tende a gerar despesas crescentes e difíceis de prever. A análise de consumo permite identificar recursos ociosos, ajustar contratos e recuperar previsibilidade orçamentária.
  • Suporte especializado para evitar interrupções: o custo de uma hora de indisponibilidade em sistemas críticos é muito maior do que o custo de um suporte preventivo. Essa equação passou a ser parte da conversa financeira.

Da propriedade ao serviço: por que os modelos flexíveis ganharam força

Uma das mudanças mais visíveis que acompanha essa nova dinâmica é a migração de modelos de infraestrutura própria para serviços gerenciados. Em vez de concentrar grandes investimentos em ativos físicos — servidores, equipamentos de rede, hardware de segurança —, muitas empresas passaram a priorizar soluções escaláveis, com custos mais previsíveis e monitoramento contínuo incluído.

Para o CFO, a lógica é clara: um modelo de serviço gerenciado transforma um gasto variável e imprevisível em uma despesa recorrente e controlável. Para o gestor de TI, significa menos preocupação com manutenção de ativos e mais foco em eficiência operacional. Para o revendedor, representa uma oportunidade de construir relacionamentos de longo prazo baseados em serviço, não apenas em venda de equipamento.

A busca é por estruturas capazes de integrar conectividade, segurança e gestão da operação em um único ambiente, reduzindo falhas e aumentando o controle financeiro sobre a área de TI — um modelo que simplifica a prestação de contas da área tecnológica para a liderança financeira.

Indicadores e revisão contratual: a nova pauta das reuniões de TI

Outro efeito concreto da maior presença financeira nas discussões de tecnologia é a pressão por indicadores de performance e revisão periódica de contratos. Itens que antes passavam despercebidos — serviços com baixa utilização, consumo descontrolado em nuvem, estruturas pouco integradas que geram retrabalho — entraram no radar das empresas em busca de eficiência operacional.

"Hoje existe uma cobrança muito maior por estabilidade e previsibilidade. O executivo financeiro quer entender onde a empresa está investindo, quais riscos existem e como evitar custos inesperados ligados à infraestrutura tecnológica." Wilder Gouveia, CFO da Unentel

Na prática, isso significa que gestores de TI passaram a precisar de duas habilidades que antes eram menos exigidas: a capacidade de traduzir decisões técnicas em impacto financeiro, e a disciplina de documentar e apresentar indicadores de desempenho de forma regular — não apenas quando algo dá errado.

O que muda para revendedores nesse novo cenário

Para revendedores de tecnologia, a aproximação dos CFOs das decisões de TI altera a dinâmica das vendas em aspectos práticos. Algumas mudanças que vale ter no radar:
  • O interlocutor mudou — ou se multiplicou: em muitas empresas, a decisão de compra de tecnologia passou a envolver o gestor de TI e o executivo financeiro. Propostas que falam apenas a linguagem técnica podem não chegar onde precisam chegar.
  • Eficiência e ROI pesam mais do que features: o argumento de venda que funcionava bem quando o interlocutor era exclusivamente técnico — listar funcionalidades e especificações — precisa ser complementado com uma narrativa de retorno sobre o investimento e redução de risco.
  • Modelos de serviço recorrente são mais fáceis de aprovar: para o CFO, um contrato de serviço gerenciado com custo mensal previsível é mais fácil de justificar do que um investimento pontual em hardware, especialmente em momentos de pressão orçamentária.
  • Cibersegurança virou argumento financeiro: apresentar soluções de segurança como proteção contra risco financeiro — não apenas como proteção técnica — é uma abordagem que ressoa com a liderança financeira.

A mudança não exige que o revendedor se torne um consultor financeiro. Mas exige que ele saiba conectar os benefícios técnicos das soluções que oferece a resultados que o CFO do cliente consegue compreender e defender internamente.

"O investimento em tecnologia continua crescendo, mas agora acompanhado de métricas mais claras de eficiência, estabilidade e retorno para o negócio."Wilder Gouveia, CFO da Unentel

Por onde começar: alinhando TI e finanças na prática

Para gestores de TI que querem se preparar para esse novo nível de escrutínio — e para revendedores que querem apoiar seus clientes nessa transição — algumas ações formam um ponto de partida concreto:
  • Mapear os contratos de tecnologia ativos: inventariar todos os serviços em uso, custos mensais e anuais, datas de renovação e percentual de utilização real de cada um.
  • Criar um painel de indicadores de TI: disponibilidade dos sistemas, tempo de resolução de incidentes, consumo de nuvem por área e custo por usuário são métricas que traduzem a operação de TI em linguagem compreensível para a liderança financeira.
  • Identificar gastos sem retorno claro: licenças subutilizadas, serviços duplicados e contratos de suporte que raramente são acionados são candidatos óbvios a revisão antes que o CFO os identifique sozinho.
  • Avaliar o modelo de infraestrutura: comparar o custo total de manter ativos próprios versus migrar para serviços gerenciados — incluindo o custo oculto do suporte, da manutenção e do risco de obsolescência.
  • Preparar uma narrativa de risco: quantificar o impacto financeiro de um incidente de segurança ou de uma hora de indisponibilidade dos sistemas críticos é o argumento mais eficiente para justificar investimentos preventivos em infraestrutura e segurança.
 
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